quarta-feira, 11 de novembro de 2009

{muitas}




.




















Mas eu..


Em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção..



Coisas antagônicas e absurdas se sucedem —
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran.





{Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água}

Álvaro de Campos

terça-feira, 10 de novembro de 2009

[(re)Lembrando

.

















Imagine uma flor. A mais bela, a mais rude
ou a mais singela.

Imagine uma cor. Num tom claro,
escuro ou misturado.
(Imagine apenas)





"E se você dormisse? E se você sonhasse?
E se em seu sonho você fosse ao paraíso
e lá colhesse uma flor bela e estranha?

E se ao acordar você tivesse essa flor entre as mãos?
Ah, e então?

sábado, 7 de novembro de 2009

(...)



























Arranca-me, é vento; do chão da existência,
de ser um lugar! E, pela noite que fazes mais’scura,
pelo caos furioso que crias no mundo, dissolve em
areia esta minha amargura, meu tédio profundo.

E contra as vidraças dos que há que têm lares,
telhados daqueles que têm razão, atira, já pária
desfeito dos ares, o meu coração! Meu coração triste,
meu coração ermo, tornado a substância dispersa e negada
do vento sem forma, da noite sem termo, do abismo e do nada!

(Fernando pessoa..)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O (ser) melancolico


















(A) melancolia, tem origem na perda original..


Pois ||aquele bebê|| que percebe que a mão não irá
estar todo o tempo ao seu lado, ele chora berra e
ela não o responde..




















Ele não compreende a diferença entre uma ausência
temporária e uma ausência eterna.

Devido a tal fato ele não possui essa falta que
faz com que sejamos seres desejantes, não ocorrendo falta
ele não deseja, não desejando ele a nada se identifica,


||nada ele ama.||

Seu interior é apenas uma casca,
pois nao se identificando nada se interioriza nele
ele é um quadro branco onde nada é escrito ou gruda nele


(O) melancólico é um ser sem desejo.

















Freud em seu Texto Luto e Melancolia (1917) nos deu uma visão da psicanálise sobre o sujeito melacólico, segundo ele a melancolia tem origem de maneira semelhante ao luto. Luto é basicamente um processo normal onde o sujeito após perder aquilo que ama, vai se desligando do objeto e aprendendo a amá-lo de uma maneira diferente.

domingo, 25 de outubro de 2009

Melancolia de ||viver||


















“Descobri o que me faz sofrer tanto.

É esta coisa escancarada!
Como uma ferida interna que sangra sem p.a.r.a.r.”



Se eu falo me faz sofrer muito.
Vai doendo, doendo, doendo..

Se eu não falo, me faz sofrer mais ainda..


Não sei, eu me sinto muito escancarada.
Minha sensibilidade é assim à (flor da pele) ..

Às vezes me sinto como se estivesse morta.



minha análise que me dá um pouquinho de vida
Preciso romper com tudo, pois eu tento perceber
o mundo que me cerca, mas percebo tudo fragmentado,
aos pedaços, não entendo.

Vejo as festas e a alegria dos outros e tudo é tão
distante de mim.

Será que eu não tenho motivos para ficar alegre?
Fico procurando por onde eu vou, qual é o caminho ..
me sinto por fora de ||tudo||


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Carta de despedida

Sexo, Idade : F, 27
Cor : (descendente de orientais)
Meio : pulsos cortados
Forma de mensagem : carta manuscrita a tinta azul








































"A quem possa interessar:
Grande parte do que possuía foi vendida ou doada.
O que resta, é minha vontade que seja entregue ao meu amigo João;
o qual poderá dar a meus pertences o destino que lhe aprouver.


((Nada deverá ser entregue a qualquer parente meu))


Quanto aos meus restos mortais, suplico encarecidamente; não o torturem com choros, rezas ou velas. É apenas a minha matéria e imploro que a deixem degradando-se em paz. A putrefação não é degradante. Se a humanidade permitisse que a natureza tomasse o seu curso, seria o renascimento da matéria.


















Eu renasceria no vento que passa a murmurar, nas folhas
que farfalham, no solo que abriga e alimenta milhares de seres vivos,
na água que corre para o mar nas chuvas que regam os campos, no orvalho
que cintila ao luar, nas grandes árvores que abrigam ninhos de passarinhos
e que vergam a passagem dos ventos fortes, nos pequenos arbustos
que escondem a caça do caçador...


Céus! Eu me vingaria se apenas uma de minhas partículas
participasse do desabrochar de uma flor ou do canto de um pássaro.


Romântico? Não!






















Foi o mundo, minha família, meu educador mas principalmente...
foi o seio que aconchegou a criança que vinha lhe contar as
suas tristezas, máguas, alegrias, pensamentos, e seus desejos íntimos...


suas esperanças. A criança crescida quer voltar para lhe contar
seus sofrimentos, desilusões, a morte de suas esperanças...
para encontrar novamente o aconchego onde poderá descansar sua
cabeça cansada e abatida e onde poderá, enfim, chorar as suas
lágrimas que não encontram onde chorar.


Volto derrotada porque não fui capaz de viver,
trabalhar e estudar não foram suficientes para mim.
E foi tudo o que me restou. Prefiro morrer do que viver
com a morte dentro de mim.
Perdoem-me ..., ..., ..., "

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Não consigo viver






















||Não consigo viver||


Dias de silêncios (Extranhos)
muitas mãos vazias de gestos.

Eu lutei e tentei não pensar em nada
como se isso fosse possível!

só ouvi o silêncio…(eco da morte)
E esse silêncio parte e destroi
a doutrina do saber fingir...


Preciso de barulho, por favor!
Façam barulho!




Tentei dormir, minhas miragens e pesadelos
não (me) deixam e olho o vazio com os olhos fechados.


Não consegui esquecer-me da noite.
Enlouqueci a tentar perder a noção do tempo
da razão, do existir, do medo, do amor, do perder...


barulho! Não ouvi nada!













Não consigo viver-me!


E o silêncio que se faz ouvir mutila
os batimentos do meu
querer.


Façam barulho! Não quero ouvir a minha miséria, o meu egoísmo,
a minha fraqueza, a minha discórdia,
a minha revolta …

Façam barulho!

















Façam barulho(por dentro)

o barulho externo
eh ensurdecedor


Estou afundando
(E não alcanço nenhuma mão).


||Não consigo viver||




quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Resta||pouco
















Quando os abismos de (si)mesmo Vertem pensamentos conjecturas
Sobre o si que mora em tudo que mira// Escaravelhos passeiam
Nos sarcófagos de tudo Podem ser invisíveis Mas sempre estarão
lá Mimetizados enquanto vibrarem as ossaturas



Quando nos encontramos além de nós |Morremos|| para aquilo
que somos e vivemos naquilo que nos (E-ncontra)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

sem eu..(mesma)






















Por onde andei deixei bocados

- Quem sabem infectem -
disper(sando) ecos de mim por todos os l.a.d.o.s

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Entre os //lençóis

HUMOR>>>Entre os lençóis















































Quando eu chego perto da sua cor
é que sinto o cheiro do arco íris

Lhe ofereço flores plantadas no meu jardim dou
um suspiro longo e algo branco me invade






[Fico em paz]
Faço versos ao inverso
E invento nossa gramática
























Teu nome é meu pronome pessoal
preferido entoado em sussurros


Em teu gosto tua gramática fluente

Em tua língua exercito a parte
para mim mais importante: ||A prática||


Sua lingua traduz sílaba por sílaba
do meu corpo dissimulado


Eu que nunca havia sido desvendada
de forma tão perfeita e profunda


Leste a minha pele em braile passeando
a ponta dos seus dedos


Pelas minhas curvas e pelos becos do meu íntimo


E depois dos dedos foram seus olhos que vieram
quietos e concentrados em todas as minhas inúmeras
e imperfeitas singularidades e meus defeitos tão
((mal maquiados))






























[Tão deliciosa descoberta]





Eu completamente nua em minha alma pra você
tão à mostra tão exposta tão crua e indefesa
pros seus dedos desbravadores e seus olhos incansáveis

Foi então que já cansada não mais hesitei
entreguei-me à sua linguagem












[...]
Eu, completamente traduzida





















Se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos
[Fernando Pessoa]